Conheça a eletrônica orgânica, a revolução da tecnologia sustentável
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A eletrônica orgânica possui dispositivos à base de carbono e hidrogênio. Essas características permitem que sejam mais duráveis, menos poluentes e com custo mais baixo do que os tradicionais, feitos à base de silício ou metais. A tecnologia sustentável mudará a vida de muitas pessoas. E para melhor.

A eletrônica orgânica, além de vários benefícios, será responsável por evitar o aumento do lixo eletrônico no planeta.
O aumento do lixo eletrônico tem como causa principal o excessivo descarte de dispositivos eletrônicos, devido às atualizações que ocorrem em curto espaço de tempo. Com a ampliação das aplicações da eletrônica orgânica em várias áreas, o impacto poderá ser menor.
Em comparação com a eletrônica convencional, a eletrônica orgânica oferece as seguintes vantagens:
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Baixo custo: maior número de dispositivos eletrônicos para populações carentes.
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Facilidade de processamento: maior capacidade de adaptação dos componentes eletrônicos, aumentando sua condutibilidade e durabilidade.
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Flexibilidade térmica: facilidade de mudanças de temperatura de acordo com o ambiente e seu melhor controle.
Um pouco de história da eletrônica orgânica
A ideia da eletrônica orgânica surgiu nos anos 50, quando o cientista H. Inokuchi descobriu a primeira molécula orgânica condutora de eletricidade que então era função exclusiva do silício e outros metais. Por sua vez, os cientistas W. Helfrich e W.G. Schneider, descobriram que as moléculas orgânicas poderiam também emitir luz, mas a alta tensão exigida era dispendiosa, o que invalidava o projeto. Nos anos 80, os cientistas Heeger, MacDiarmid e Shirakawa corrigiram esse impasse e descobriram os polímeros condutores (cujo trabalho lhes rendeu o Prêmio Nobel do ano 2000), moléculas conhecidas como “PTCDA”, presentes nos corantes orgânicos, bem mais em conta e amplamente utilizados na eletrônica orgânica atual.
5 aplicações da eletrônica orgânica
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Displays orgânicos

Os displays orgânicos são conhecidos como “OLEDs” ou "Organic Light Emitting Diodes" (Diodo Orgânico Emissor de Luz) e consistem de uma película orgânica que retém uma fosforescência que gera sua própria luz, em vez de usar uma luz de fundo. Essa luz é produzida a partir da radiação gerada por causa de uma intensa movimentação de elétrons que dura mais tempo do que o convencional. Os novos relógios de pulso com mostradores que brilham no escuro, são bons exemplos. Como os displays possuem menos circuitos do que as telas de LCDs (Liquid Crystal Display), sua espessura é bem mais fina.
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Placas fotovoltaicas orgânicas

Os dispositivos conversores de energia que utilizam células solares orgânicas se baseiam no princípio parecido com o da fotossíntese. Por serem recicláveis ou biodegradáveis as placas duram mais e o seu "Coeficiente de Absorção Óptica", é maior do que o tradicional, aumentando o tempo de uso e o custo, pois a luz pode ser absorvida através de uma placa menor. Essa vantagem seria ótima no norte europeu, por exemplo, onde as noites são mais longas do que os dias e ocorrem quase o ano todo. Outro benefício seria para as regiões mais pobres do planeta onde a eletricidade ainda não chegou. O custo baixo da geração de energia favoreceria esses lugares.
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Transistores orgânicos

Os transistores são fundamentais para a fabricação de todos os dispositivos eletrônicos modernos, seja amplificando sinais ou operando como interruptores. Por causa das placas flexíveis, o transistor orgânico (OFET ou “Transistor de Efeito de Campo Orgânico”), ficou ainda mais durável porque utiliza corantes orgânicos que aumentam a resistência e também melhoram a condutividade, evitando a entrada de impurezas, responsáveis pelas interferências.
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Nanotecnologia na Biomedicina

Outra aplicação importante da eletrônica orgânica é na biomedicina como, por exemplo, nas pesquisas pela cura da cegueira. Um chip com eletrodos revestidos com corantes orgânicos é inserido na retina do paciente. O dispositivo registra os sinais luminosos que se transformam em sinais elétricos e são enviados para o cérebro. Por serem orgânicos, os corantes garantem uma condutividade mais duradoura e uniforme. Outros chips fabricados com essa técnica, poderão ser inseridos na pele do paciente para monitorar sua saúde.
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Nanofibras de celulose ou nanocelulose

As nanofibras feitas com celulose possuem grande cristalinidade, rigidez e resistência à tração, além de apresentar uma superfície específica e transparente. Sua aplicação é ampla, pois além da eletrônica orgânica, pode acontecer em outras áreas não comentadas aqui, como, alimentar, têxtil (tecido elétrico) e espacial. Existem estudos voltados ao controle do aquecimento do nanopapel, a fim que se torne um conduite ou semicondutor de acordo com a necessidade.