Reciclagem de lixo espacial: a melhor ideia para economizar e evitar desastres

Recentemente, os restos de um foguete caíram no Oceano Índico. Mas, poderiam ter caído em região populosa. O que fazer para evitar esse tipo de risco? A saída mais barata e segura, é a coleta e reciclagem do material. 

 Faz mais de 60 anos que a corrida espacial teve início e o lançamento de satélites e foguetes se tornou uma rotina diária.

Depois de todos esses anos, mais de 500.000 destroços (lixo espacial) são lançados de satélites e foguetes enquanto orbitam ao redor da Terra. O ponto é que todos eles viajam a velocidades de quase 282.000 quilômetros/hora.

Em outras palavras, o aumento do lixo espacial aumenta o perigo potencial para todos os veículos espaciais.

Os astronautas também correm riscos de serem feridos quando deixam cair, acidentalmente, objetos durante seus passeios espaciais, como câmera, espátula, luva, espelho ou até mesmo uma bolsa cheia de ferramentas.

"Os danos causados pelos fragmentos, não somente causaria a avaria de qualquer foguete ou satélite, como também a integridade dos astronautas fora da estação espacial. Um objeto pequeno, como um parafuso, caso atingisse um astronauta, poderia matá-lo, pois sua velocidade seria superior de um tiro. 

Além da retirada dessa sucata flutuante, outra preocupação é o desmonte de peças grandes, evitando que fiquem "abandonadas" no espaço.

A preocupação faz total sentido porque somente 10% dos satélites e 25% dos foguetes são desintegrados na atmosfera. A grande parte do lixo (75%), seria dos detritos que ficam estacionados na atmosfera, abaixo de 2 mil quilômetros.

Tipos de órbitas em torno da Terra:

  • Órbita Terrestre Geoestacionária - Se um satélite chega ao fim de sua vida útil, os proprietários procuram colocá-lo em uma órbita mais alta, numa distância de 300 km a 400 km. É uma zona de proteção internacionalmente aceita. Acredita-se que os satélites se colidem ou explodem por causa do combustível não utilizado ou de baterias degradadas.
  • Órbita Terrestre Baixa - O risco de colisões aumenta nessa região. Isso criaria uma chuva de detritos que poderia ficar ainda maior a partir do volume criado pela reação em cadeia.    

Alguns programas que visam reduzir os riscos do lixo espacial:

Gateway Earth Development Group (GEDG)

Elaborado por um grupo formado por acadêmicos de universidades do todo o mundo. A ideia é colocar em órbita a Gateway Earth, uma estação espacial totalmente operacional com uma instalação para reciclar satélites antigos e outros tipos de lixo que orbitam no espaço.

RemoveDEBRIS

Desenvolvido pela Universidade de Surrey, no Reino Unido, com o objetivo de lançar no espaço “baleeiras espaciais” com redes e arpões para capturar os destroços. O sistema diminui a velocidade dos objetos até que saiam de órbita e possam ser mais facilmente fisgados.

Sistema a laser

Agências espaciais de China e Rússia estão desenvolvendo em conjunto um sistema a laser baseado na Terra, para remover pequenos detritos em órbita. O sistema permite reduzir a velocidade dos objetos para que entrem na atmosfera terrestre em espiral, facilitando sua desintegração completa.

Existem dúvidas quando a eficácia desse método, porque seu efeito pode reverter em mais detritos ainda menores. Paira a dúvida.

Orbital Debris Program

O "Programa de Detritos Orbitais"  foi desenvolvido pela NASA e seu foco é encontrar mais alternativas visando reduzir o lixo espacial a um custo menor, como equipamentos que rastreiam e removem os detritos.  

Project Phoenix

A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada em Defesa, dos Estados Unidos desenvolveu um programa visando reciclar peças do lixo espacial que podem ser reaproveitadas e incorporá-las em novos sistemas espaciais a baixo custo.

Essa peça caiu do céu australiano! 

Pieces of Skylab are now on display in a local museum in regional Western Australia. AAP Image

Exposição dos destroços do Skylab que caíram na Austrália

No ano de 1979, a costa da Austrália foi atingida pelo pelo maior pedaço de lixo espacial que se tem notícia. A estação espacial norte-americana SkyLab, de 77 toneladas, se desintegrou perto de Esperance, uma cidade litorânea.

O custo para recolher o material foi alto, mas houve várias campanhas na época conseguiram os recursos para diminuir o prejuízo.

O astrônomo Dino Nascimento, pesquisador IAG/CASP-USP, levanta um ponto importante ainda pouco comentado: "Os danos provocados pelo lixo espacial atingem também outros planetas, como Marte. O grande perigo está nas baterias dos drones e roovers, além dos restos dos veículos que transportaram as sondas e satélites. Imagine quanto desse entulho estaria espalhado sem lhes ser dada a devida atenção? E se acontecesse um "vazamento" do material radioativo dessas baterias? Risco potencial de contaminação de material nuclear no futuro?".

Quem paga a conta, afinal?

O Direito Internacional estabelece uma compensação da agência responsável pelo eventual dano ao país onde houve o dano. A ONU expediu em 1972, um Termo de Responsabilidade que impõe ao "estado de lançamento" (responsável pela fabricação e lançamento do artefato) sanções severas. 

Um problema de segurança nacional

O termo expedido pela ONU não resolve totalmente o problema causado ao país que foi afetado pelo lixo espacial. Não se pode simplesmente coletar qualquer pedaço ou fragmento no espaço sem a possibilidade de criar conflitos políticos.

Como muitos satélites ou foguetes em órbita, são de propriedade privada, a preocupação aumenta, em termos de segurança nacional.

Space Junk Recycler (Northrop Grumman Artist Concept)

Reciclagem é a melhor alternativa para reaproveitar a sucata espacial

O processo que ficou conhecido como “reciclagem futurista” passou a ser a melhor ideia não só em termos de economia - reaproveitamento de peças de satélites ou foguetes que vagam no espaço -, mas, sobretudo, para evitar desastres com porporções inimagináveis!

Colocando o Sol no foco

Um projeto ousado é o "Space Junk Recycler", um refletor solar parabólico feito de material com um ponto de fusão extremamente alto. O lixo espacial seria recolhido por braços robóticos.

O reciclador concentra a energia solar em um pequeno espaço esférico, criando uma intensa fonte de calor. O calor vaporiza os menores detritos existentes e os maiores seriam derretidos numa espécie de grelha.

Depois de diluído, todo material se transforma em lingotes, para ser reciclado em diversos formatos, através de impressoras 3D. Como o reciclador pode ser colocado em órbita, todo o trabalho seria feito no espaço. 

Uma limpeza em regra dos detritos no espaço, seria equivalente à captura de microplásticos no mar, tamanha a sua complexidade!

Não importa a complexidade, a redução do lixo espacial é uma questão vital tanto para a Terra como para o trânsito espacial. Toda casa bonita começa com a limpeza de sua entrada. A corrida espacial está apenas começando e quanto mais limpo o caminho, mais fácil serão as novas conquistas.